Celebridades

Candongueiro e Polícia

Tinha terminado mais um dia de trabalho. Estava num dos muitos bancos do candongueiro, seguia para casa. Comigo, o cansaço, preguiça mas também o alívio de ter cumprido com êxito mais um dia de compromisso laboral. O som que se ouvia e bem alto, para não variar, era o “do cutuvelo”. Não havia congestionamento, do aeroporto onde pegara o táxi a gamek, onde era o meu destino, apenas 20 minutos. As mbaias, corta-mato e tudo mais que muito bem os artistas da estrada fazem, também ajudaram a chegar em tempo record.

Ia se aproximando ao meu destino e como já até se tornou hábito, chamei o rapaz, dito cobrador e anunciei a minha paragem. Este por sua vez, avisou ao motorista que ao chegar próximo mostrou querer estacionar em zona proibida, desistiu porque o cobrador logo alertou dizendo: Cuidado, tem um bandido aí!

Parou noutro local e então desci. Olhei para o local aonde o motorista quis parar e notei que aquele a quem o cobrador tratou por bandido, era um polícia, um agente da ordem, um agente regulador de trânsito, retirando a possibilidade do cobrador ter apenas gozado, questionei a mim mesmo, o que leva o cobrador a menosprezar tanto o agente regulador de trânsito a ponto de desrespeitá-lo?

Não sei, nem faço ideia. Foi o que sem aprofundar, respondi inicialmente. Mas bastaram dois passos para que então a minha cabeça me bombardeasse com respostas: Resultado da falta de respeito próprio que os agentes, quase todos vão demonstrando, falta de respeito escondida numa ilusória arrogância que vão demonstrando um pouco por todo lado quando interpelam este ou aquele cidadão automobilista.

Trancam a cara e serram os dentes quando pedem os documentos, mas a sós com o motorista, apenas conversam o acerto do pagamento, do mísero pagamento, que nunca transcende os 2000k. Se entre a carta e o livrete ou enrolado num papel qualquer. Esquecendo-se que o que pedimos só nos é dado quando a nossa conduta mais que a arrogância ou outra coisa qualquer, nos leve a merecer. Tudo certo, lá vai o motorista, como quem vai tirar dinheiro para a namorada ou filha e pede ao cobrador. Este por sua vez ainda reduz… Txe lhe dá só 500, não estamos a trabalhar para ele meu…, e lá vai, está feito. Mais um problema ultrapassado, não importa a gravidade, se há dinheiro, há resolução, é sempre possível atenuar a infracção. Afinal a polícia não apenas coage! (Só não devia atenuar de forma tão vergonhosa).

Com uma conduta vergonhosa e suja, os agentes vão passando de fiscalizadores das actividades a meras kengas, concubinas com as quais os donos dos táxis e seus prestadores de serviços vão dividindo ganhos, degradando mais e mais o nome da instituição, o nome da Polícia Nacional. Esta que última que com olhar atento e boca silenciosa vai vendo o desenrolar dos acontecimentos sem nada fazer, como uma dama que quer mas nada diz.

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