Estava na pausa. Sentado no muro, apreciava a paisagem pouco agradável que a rua suja me proporcionava. Fugira do kubico, do trabalho de casa sempre chato. É segunda-feira, mas como sou kunanga, todos os dias é domingo!
O bardeio já durava mais de duas horas. O sol estava agradável, o clima estava bom para kunanguisse, estava a kuiar. Foi quando ele chegou, meio sinistro, cheguei a temer que me assaltasse. Sentou ao meu lado e começou a falar da sua vida… Contou que estava triste. Triste porque falhara, perdera oportunidades. Disse que estava triste porque desistira do correcto, triste porque vendera o seu rigor pela vaidade.
No princípio fiquei naquela de não prestar atenção, não me interessava! Mas depois de tanto falar, olhei para o rosto e vi um jovem, aparentava 26 anos. Ele chorava. Enquanto as lágrimas percorriam a pista que o seu rosto proporcionava, comecei a sentir a sua dor, comecei a perceber o que ele queria dizer; Comecei a perceber que ele cometera erros. Erros que todos cometemos, erros como trocar o tempo de estar na aula para se divertir; e o de se divertir para estar na aula ou a estudar. Percebi que ele tinha cometido um erro, um erro de trocar e  dar o valor que só a dama merece a vagaba e o abandalho que da vagaba a dama. Eu não sabia ao certo, nem percebia, apenas viajava nos pensamento. Tentava perceber.

Ele voltou a falar, desta vez procurava me aconselhar. Pediu que não me deixasse levar pelas más influências, que pensasse antes de agir e escolher. Pediu que daquele momento em diante não mais perdesse tempo correndo por vaidade. Para ele a vaidade era o maior e pior mal para um homem. Disse que era o mais jovem dentre os muitos funcionários de uma grande empresa. Fizera muito dinheiro, muito dinheiro mesmo. Decidiu sair, apostou num novo negócio, num negócio próprio. E apostou!
Comecei a pensar que falhara no negócio, que metera tudo, energia, tempo e dinheiro mas falhara, estava quase certo que era este o motivo do seu desespero, mas ele começou a falar. Disse que a empresa de consultoria em higiene e segurança no trabalho que criara, fora um sucesso. Tudo corria bem, prestava serviços a mais de três grandes empresas, inclusive a sua anterior empregadora. Passou algum tempo e o contínuo sucesso trouxe consigo melhores condições de vida; Novos amigos, novos carros, novos meios e nova casa. – Era tudo novo, até eu tinha mudado, só não tinha percebido ainda.
Como continuava sem perceber, pedi que explicasse bem. E ele explicou. Explicou que o sucesso que o proporcionara muitas benesses, foi o mesmo que o transformou naquilo que sempre criticou, fútil, vazio e sem estofo.
Como notou que continuava sem perceber, ele  foi mais claro. Disse que com os novos amigos e os novos meios que frequentava começou a sentir que a casa em que vivia já não lhe servia. Depois notou que o carro também já não lhe servia. Depois de uma nova casa e um novo carro, ficou calmo, sentiu paz… Mas ela não ficou por muito tempo.
Não tinha passado seis meses desde que concretizara a compra da nova casa e do novo carro, a paz postiça já tinha desaparecido. Comecei a olhar para as esposas e namoradas dos meus novos amigos e comecei a ter receio de levar a minha para as saídas.

Comecei a inferiorizá-la. E não tardou, comecei a sentir que ela já não servia para mim. E deixei, foi difícil, foi duro mas deixei. Não pensei nos mais de seis anos que ela se manteve ao meu lado com chuva, sol ou sem eles. Não pensei nas lágrimas que por mim ela derramou. Não pensei no sofrimento que ao meu lado enfrentou, nos obstáculos que me ajudou a ultrapassar. Não pensei nas risadas que deixou de dar para chorar comigo. Não pensei em nada. Nada além do ela não serve para mim. E deixei!
Parti para uma nova relação. Ela sim, servia para mim! Mais jovem, mais bonita, mais letrada e mais apresentável. Íamos bem, mas não fomos além disso, não fomos além do íamos! Passaram três meses e começaram os problemas, começaram as discussões. Aguentamos mais algum tempo, não muito e já estávamos a nos separar. Estávamos a colocar um ponto final na pequena história que vivíamos.
Depois de ouvir, passei a perceber a sua dor, não tinha noção do que ainda tinha para me falar.
E ele voltou a falar… Disse que fazia hoje duas semanas desde que tinham terminado a relação. Estava no escritório quando a secretaria anuncio que ela estava lá, a espera para falar comigo. Pensei que viesse falar sobre nós, mas não. Ela entrou com mais duas pessoas, logo notei que eram advogados. Não fizeram rodeios, foram curtos e directos ao objectivo.
Mostraram uma declaração e convidaram-me a retirar-se da sala e do espaço da empresa. Não sei como nem quando, mas tinha assinado uma declaração dando o poder de comando a ela. A uma estranha. A uma pessoa que não conhecia. E agora ela me tirava o céu, o chão, me tirava tudo que tinha com esforço e energia, muita energia construído.
Tentei discutir, liguei para o advogado, mas não resisti, as lágrimas iam caindo. A paixão cega, a vaidade desequilibrada levaram-me a isso. Saí e agora cá estou. Não sei o que vou fazer, não sei para onde vou… – Mas obrigado por me ouvir.
E assim retirou-se, deixou-me sozinho. E com uma grande lição aprendida, ensinou-me o preço da vaidade.

A BwéVip faz assim mas convite a reflexão, quantas vezes nos deixamos levar pelo seguidismo, pelo simples desejo de ser como o outro ou ter o que o outro tem? Quantas vezes nos deixamos levar pela vaidade, pela ilusão? Quantas vezes trocamos o certo pelo errado? Quantas vezes (apesar de haver tempo para tudo), trocamos o tempo para estudar pelo tempo para se divertir? Fica mais uma. BwéVip não é só foto, mais um convite ao certo.

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