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Património cultural mundial sob ameça

Cerca de um quinto dos monumentos e locais protegidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) corre o risco de desaparecer nos próximos dois mil anos, caso se mantenha o ritmo actual de emissão de gases com efeito de estufa, alertam pesquisadores alemães.

O aumento dos níveis dos mares devido ao aquecimento global, advertem os pesquisadores, pode levar ao desaparecimento de mais de 130 dos cerca de 750 Patrimónios Mundiais catalogados pela UNESCO.
Os investigadores do Instituto de Pesquisa das Consequências Climáticas de Potsdam e da Universidade de Innsbruck afirmam que patrimónios culturais como a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque, a Torre de Londres e o Centro Histórico de Olinda, no Brasil, podem desaparecer, se o aumento da temperatura elevar o nível dos mares para 1,8 metros.
“Se não limitarmos as mudanças climáticas, no futuro, os arqueólogos vão ter de procurar uma grande parte dos nossos patrimónios culturais no mar”, afirmam.
O aumento de apenas um grau na temperatura, alertam, é suficiente para pôr em risco a existência de 40 dos patrimónios mundiais controlados pela UNESCO.
“A temperatura global média aumentou cerca de 0,8 grau em comparação à era pré-industrial e se as emissões de gases com efeito de estufa aumentarem, como ocorreu até ao momento, devemos prever um aquecimento global até cinco graus no final do século”, refere o estudo. A elevação do nível do mar também pode ser responsável pela diminuição considerável da superfície terrestre em pelo menos 12 países, a maioria dos quais do sudeste asiático, que podem perder mais de metade dos respectivos territórios.
O estudo afirma ainda, que o aquecimento global deve afectar directamente cerca de sete por cento da população mundial, com maior incidência na China, Índia, Bangladesh, Indonésia e Vietname.

Sinais positivos

Outro estudo, elaborado pelas Nações Unidas, refere que dos 66 países responsáveis por 88 por cento das emissões globais de carbono, 64 apresentam progressos, no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
Elaborado em parceria com o Banco Mundial, a Organização de Legisladores Globais e o Instituto de Pesquisa Grantham da Escola de Economia de Londres, o estudo analisou as leis nacionais sobre o ambiente nos países em que incidiu, para aferir se estão em harmonia com o acordo internacional de mudanças climáticas.
“Não é nenhum exagero dizer que a revolução sustentável de que nós precisamos está a ser promovida através da legislação”, afirmou a secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Christiana Figueres. “A legislação doméstica é fundamental, porque é a chave entre a acção local e um acordo internacional”, realçou.
Christiana Figueres destacou a necessidade das legislações domésticas abrirem espaço político para acordos internacionais e referiu que dois dos países envolvidos no estudo, Austrália e Japão, já estão a trabalhar na adequação da sua legislação nacional à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

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