Celebridades

Raparigas angolanas dançam nuas por menos de 20 mil kwanzas

Esta moda, das mulheres dançar nuas nos eventos, foi criada por um grupo chamado “Staff Bacona”, no município do Cazenga, bairro do Curtume. O grupo ganhou notoriedade, não só naquela zona, como em várias partes da cidade de Luanda, uma vez que os espectadores faziam vídeos da actuação e algumas destas gravações foram parar à internet.

Hoje, a maior parte das integrantes do grupo vive maritalmente e abandonou esta carreira. Tentámos contactar o referida “staff”, mas nenhuma delas se predispôs a falar sobre o assunto, pois, além de desconfiar que o nosso repórter tinha alguma ligação com a Polícia, tencionam esquecer tudo que fizeram na antiga vida.

Aquele grupo desapareceu das festas, mas a prática criada por si permaneceu e, actualmente, os municípios de Viana, Sambizanga, Cacuaco e Cazenga (este último lidera a lista) estão minados de moças que dançam nuas. Os organizadores de eventos usam-nas como uma boa estratégia de angariação de cliente.

A estratégia consiste em colocá-las a dançar em palco, a princípio, seminuas e, em função do trabalho do animador e daquilo que o público pedir, terminar tirando toda a roupa. Nas festas, noites e principalmente nas raves, este tipo de actuação tornou-se indispensável para a satisfação de quem as frequenta.

Tomámos conhecimento que no município do Cazenga existem os grupos, “Rebola”, “Lambe lá”, “5 Letras”, “Maning nice” e “As Que se Mudam na Rua”; em Viana, “as C* russa”, “Mamã me Enxotou” e “as F*didas”; em Cacuaco, “as Vaco- nas” e no distrito do Rangel, “as Cú Quente”.

Numa rave, pelo que vimos num vídeo, dado o pendor organizativo, podem aparecer dois grupos (com mais de 3 moças) a partilharem o mesmo palco. Às vezes, quando um grupo está a ser menos aplaudido que o outro, as moças abandonam a rampa, procuram estar mais próximas dos espectadores, mostrando tudo, e acabam por se envolver sexualmente diante do público.

Embora não tenha chegado até àquele extremo, a jovem Tamima Star, pertencente ao grupo “as F*didas”, que existe há 2 anos, disse que para fazer este tipo de dança não precisa estar drogada, como muitas pessoas pensam. Aliás o único tipo de droga que consomem é a bebida alcoólica.

O grupo daquela jovem, que é composto de 9 meninas (apenas 3 dançam) é muito conhecido no município de Viana pelos organizadores de evento e, segundo ela, fazem aquele tipo de coisa para se divertir e também porque gostam de dançar. “Eu, particularmente, não conseguiria viver sem a dança”, disse a rapariga, que estava preparada para dançar na “publicidade” (uma pré-festa) do enceramento das raves do “collant chuchuado” e “tchuna baby”.

A jovem apresentou-se trajada de “collant” e uma blusa com os dizeres: “Eu nunca disse que prestava!”. Perguntada se aquela frase era o lema do seu grupo, disse que não, era simplesmente um “vaiser” – vontade de andar vestida com uma blusa com aquelas palavras.

Reconheceu que é uma loucura, aquilo que fazem, mas apesar de tudo, conseguem. “Temos orgulho do que fizemos, apesar de existirem pessoas que nos criticam, nos ofendem, dizem que não valemos nada e nos chamam de prostitutas. Nós temos ignorado isto, porque quando estamos em palco, a coisa é outra”, encheu-se de vanglória.

15.000kz para tirar toda a roupa

As “F*didas” foram várias vezes convidadas pela “Staff 3 Kambas” a dançar nuas nas “publicidades” do “collant chuchuado e tchuna baby”, que, no sábado,07, irá encerar a tour-née de eventos com aquele título. Segundo o Chorão Fininho, um dos organizadores e animador da referida staff, têm pago àquele grupo de meninas 15.000,00kz para que tirem toda a roupa, em palco.

Dos 10 eventos em que elas participaram, o preço foi o mesmo e o serviço prestado também. O grupo 3 Kambas existe há 6 anos e o nosso entrevistado afirmou que já trabalhou com “as Baconas”, pagando sempre o mesmo valor.

“Este tipo de show, em que elas tiram toda roupa, normalmente, começa as0h ou 1h e vai até o fim da festa. Já trabalhamos, também, com as “Lambe lá” e as “Maning nice” – este último grupo, nos cobra 8.000,00kz, por ser da “banda” e fácil de lhes convencer”, disse ele, que muitas vezes tem sido o responsável, do seu grupo, por esse tipo de negociação.

Segundo o nosso entrevistado, com aquelas jovens dançando nuas em palco, consegue vender mais de 50 camisolas e convites. “Sem elas, tudo fica difícil, para nós, uma vez que não temos nome no mercado. Sabemos que a Polícia está atrás dessas moças, por isso, actualmente, convidamos apenas um grupo, quando trabalhávamos com dois”, frisou.

“Não trabalhamos sozinhas”

Estas moças que dançam nuas são muito cobiçadas, por isso, o grupo as “F*didas”, por exemplo, tal como disse a Tamima Star, trabalha com um desses indivíduos, conhecidos como “manager”, que são: o Hugo Major, Melancia e K2 (este último, controla vários grupos, inclusive também a “Staff Bacona”).

“Não são nossos chefes, mas sim pessoas que nos protegem quando vamos actuar. Quando estamos numa festa que tem muitos bandidos e não dá para dançar, eles nos avisam, porque senão fica difícil sairmos dali. Houve uma, em que, para sairmos da festa, tivemos de trocar de roupa”, aponta.

O tempo de actuação, muitas vezes, também é controlado por aqueles “manager” e, caso ultrapasse, eles exigem à organização que pague mais. Por outro lado, também são estes jovens que negociam a possibilidade das dançarinas não actuarem no chão ou fazendo uma roda, porque o público tende em as apalpar.

A nossa entrevistada acha que é muito pouco, aquilo que o seu grupo ganha, pois não chega para sustentar a vida das integrantes, se- não para comprar roupas e calçados. Porque têm de dividir o dinheiro com o “manager” que tiver a lhes acompanhar.

Acredita que, se fosse numa discoteca, ganhariam melhor. Por isso, estão dispostas a trabalhar como strippers, num estabelecimento desses. Apesar das ofensas que tem sido vítima, a nossa interlocutora disse que não se sente mal e que não vai deixar de fazer o que faz, porque não perdeu o namorado, “ganhei mais pretendentes, tenho muita concorrência, tanto de jovens quanto de senhores e miudinhos”, reforçou.

Para finalizar, Tamima disse que o seu grupo nunca teve problemas com a polícia, mas recordou que recentemente o K2 caiu numa armadilha e quase foi preso.

‘Se o animador for bom, a festa vira pornografia’

Ele disse que já não anima, porque as responsabilidades aumentaram, formou família e chegou a uma altura em que os organizadores de evento não davam o devido valor a estes “profissionais”.

Baixinho Requintado tem 5 anos de animação e lembra que quando começou, existia poucos animadores no Cazenga, que mexiam com o público.

Citou o Bia-G, Godsila do Game e o Sanguiloy, além dele, como os indivíduos que tomavam conta daquele município em termos de animação e aponta que é preciso ter dom, por ser a partir desta (animação) que as moças ganham coragem de chegar até ao imaginável.

“Antes era só começar numa dança sensual mas, pela vocação do anima- dor, criação da agitação, dar umas dicas no microfone e a fazer o público vibrar, chegavam à loucura. Depois a festa se transforma em leilão. Eram miúdas idóneas, umas viviam com os pais e outras maritalmente, mas que, nas festas, acabavam por se perder”, lembra.

A animação, voltou a frisar o entrevistado de OPAÍS, é que, muitas vezes, incentiva essas miúdas a tirar a roupa. Se o animador não for bom, parecer tímido e não convencer o público, as dançarinas não se vão sentir tão à vontade. Se for o contrário, “não precisa muito tempo para colocá-las completamente nuas, peladas – como dizem os brasileiros”, afirmou.

Já houve, segundo nos conta, um desafio entre as “Baconas”, as “5 Letras” e as “C*nas Russas”, onde ele era o responsável pela animação do segundo grupo, o Bia-G. O do primeiro e do terceiro ficou a cargo do Godsila do Game. “Era uma cena perigosa”, disse, e as miúdas não queriam saber que estavam a ser assistidas, “alguns homens subiam em palco, mudavam e faziam sexo com elas”.

Quanto mais loucas as moças fossem, mais adrenalina a festa tinha, mas o público curtia e, infelizmente, terminava sempre em confusão. “O público reage mais quando sabe que, ali, tem uma mulher nua. Lembro que, naquela festa, as “5 Letras” ganharam, mas acabaram por lutar (nuas) com os outros grupos, enquanto a população fazia filmagens”, conta.

Devido a estas lutas, as violações a que as moças estavam sujeitas e também porque os organizadores de eventos já não valorizavam os animadores, Baixinho Requintado abandonou esta carreira e, hoje, as “5 Letras” baixaram.

Quanto ao valor que as meninas recebiam, o interlocutor disse que as menos espertas, às vezes, ficavam com um saldo ou uma grade de cerveja, se o organizador do evento for conhecido, mas as mais inteligentes cobram 8, 10 ou 15.000,00kz.

O tempo de demora em palco varia em função das propostas que vão surgindo. E como “o valor monetário, ali, falava mais alto, o público pedia, eu anunciava e elas apenas obedeciam”, descreveu ele que disse nunca ter idealizado fazer este tipo de coisa. “Foi algo momentâneo, quando dei conta já estava a animar as moças, que começaram a dançar sensualmente e terminaram sem roupa, em palco”, atestou.

Os tipos de eventos nos quais elas se expõem

Se, por um lado, é difícil entrar em contacto com as jovens dançarinas, por outro, torna-se fácil assistir ao “show” delas, para quem é seguidor de festas nocturnas, por exemplo, nas zonas suburbanas. Todos os fins-de-semana a agenda daquelas raparigas é preenchida com uma actuação nos municípios do Cazenga, Sanbizanga, Cacuaco ou Viana.

Raves: o ingresso custa entre 500 e 1000kz (excepcionalmente, as mulheres podem não pagar). O principal íman destes grupos de moças que dançam nuas é a “raves” – um tipo de comemoração festiva onde (quase) tudo pode acontecer. Naqueles municípios, este tipo de festa é realizada frequentemente e muitos organizadores, hoje, preferem contratar os serviços destas“moças”,por ser uma boa estratégia de angariação de clientes.

Segundo um organizador de festas, a “rave” surgiu no Brasil e não tem muita diferença da “Festa ou da Noite”, mas muita gente associa este tipo de comemoração à confusão, pornografia ou maior concentração de bandidos. Hoje, é vista como um tipo de festa de baixa categoria e, em algumas áreas, os organizadores não adoptam o nome de “raves” porque atrai menos clientes.

Nas “raves”, ainda que não apareçam grupos específicos a dançarem nuas, dada a natureza louca da festa, há sempre alguém dando um show semelhante, sob efeito de álcool ou mesmo drogas mais pesadas. Acontecem, a maior parte das vezes, à meia-noite, em circuito fechado e de difícil acesso da polícia.

Noite/Festas: o ingresso custa 1000 à 2000kz (excepcionalmente, as mulheres podem não pagar). Estas são conhecidas e fácil de se encontrar até mesmo nas zonas urbanas, mas nem todo tipo de Noite/Festa aparece moças dançando nuas, excepto aquelas com títulos pejorativos ou obscenos.

Festas com nomes como “Noite do Porno”, “Noite do corno ao vivo” ou “Noite do vamos se comer”, por exemplo, ainda que não consta no panfleto a participação daquele tipo de moças, certamente haverá um, dos vários grupos existentes, de mulheres que praticam nudismo.

Estas festas geralmente começam as 22 ou 23h e vão até o dia seguinte às 4-5h. São realizadas também em circuito fechado e, algumas vezes, com fácil acesso da polícia – mas os agentes não dificultam a realização, porque, em muitos casos, os organizadores fazem-se acompanhar de um documento passado pela direcção municipal da cultura, que lhes autoriza a dar festa.

De acordo a um festeiro que falava ao nosso microfone na condição de anónimo, muitas dessas moças, dado o facto de que alguns homens não conseguem controlar as emoções, acabam por ser “arrastadas” (levadas para fazer sexo). Por outro lado, o desfecho da Noite/Festa pode dar-se também com lutas, porque uns(não)ficam com as damas.

Publicidade: entrada livre. É uma actividade que consiste em publicitar uma Festa/Noite, Raves ou Praia e premiar os possíveis participantes. Ou seja, a equipa organizadora aluga um trailer, contrata um disco-jockey (DJ) e um animador – estes dois têm o dever de fazer com que as pessoas sejam atraídas e convencidas a comprar um ingresso da festa que, normalmente, acontece no fim-de- semana seguinte.

O trailer normalmente fica na rua principal do bairro em que vai ocorrer o evento, num campo ou num largo muito movimentado. Se o animador e o DJ forem conhecidos, não demora muito para que o público adira à “publicidade” e começa a comprar os ingressos, t-shirts e a se candidatar aos prémios.

Se a “publicidade” estiver boa, o DJ tocar bem e o animador ser bom de lábia, haverá mais pessoas a comprar os ingressos, porque no próprio evento será melhor ainda. Enquanto nas “raves” e Noite/Festa há algumas restrições na entrada, a “publicidade” é aberta à todo mundo (crianças, adolescentes e jovens) e não se paga nada.

Apesar das moças que dançam nuas actuarem um pouco tarde (0h/1h da manhã), em alguns casos, algumas crianças e adolescente chegam a assistir ao “striptease”. Os organizadores mais responsáveis procuram formas de afastar as crianças nesta altura, mas depois acabam por perder o controlo da situação. Por este motivo, em alguns sítios a polícia tem feito “caça às dançarinas”.

Show: o ingresso custa 1000 à 2500kz. Aqui, a actuação das jovens dançarinas depende muito dos músicos convidados para o show. Em muitos casos os organizadores preferem usar as strippers como suplentes caso os músicos convida- dos não apareçam, de modo a não deixar a público na mão.

Geralmente são os shows de “kuduro e house” que acontecem estes tipos de exposição e com a participação de músicos pouco conhecidos. Entretanto, as moças aparecem, muitas vezes, para ofuscar o fracasso da comissão organizativa em conseguir trazer os artistas previstos.

FONTE: OPAÍS

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