Serra Leoa é o país com mais caso de Ébola

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A Serra Leoa tornou-se oficialmente o país com o maior número de infectados pelo vírus Ébola, com sete mil e 798 casos registados contra sete mil e 719 na Libéria, segundo novas estatísticas divulgadas pela OMS nesta segunda-feira, mesmo dia em que médicos residentes do principal hospital serra-leonês entraram em greve por falta de equipamentos.

A paralisação no Hospital Connaught, de Freetown, capital de Serra Leoa, segue-se à morte de três médicos infectados pela febre hemorrágica, enquanto novas cifras revelaram que o país se tornou o mais afectado pela epidemia, título antes pertencente à Libéria.

“Nós decidimos paralisar os nossos tratamentos até que haja uma atmosfera de trabalho segura e propícia”, declarou a associação de residentes médicos em comunicado.

A associação não detalhou quantos médicos aderiram à greve, mas os pacientes falam de importantes interrupções de serviços.

Uma residente declarou à AFP que ela e as suas colegas estavam deprimidas e “não tinham mais coragem de ir ao trabalho” devido à falta de equipamentos.

“Nós estamos muito perturbados com a morte dos nossos colegas […], é desmoralizante”, acrescentou.

Os médicos afirmam que faltam equipamentos respiratórios e monitores de sinais vitais. Reclamam, também, por um número maior de unidades de cuidados intensivos para o centro médico, construído pelos italianos no oeste da cidade, onde alguns residentes devem ser afectados.

A associação de médicos residentes deverá reunir-se nesta terça-feira para decidir sobre uma eventual prorrogação da greve, segundo uma fonte no âmbito do sindicato.

Dez médicos morreram na Serra Leoa após terem contraído o Ébola. O vírus dizimou mais de 300 profissionais de saúde nos três países da região mais afectados pela doença: a Serra Leoa, onde a epidemia continua a expandir-se, a Guiné-Conakry e a Libéria, onde parece ter se estabilizado.

Segundo balanço da OMS divulgado no sábado, a epidemia já causou mais de seis mil e 331 mortos, sobretudo no oeste da África, com cerca de 17 mil e 800 casos contabilizados.

O balanço anterior, datado de 02 de Dezembro, tinha registado seis mil e 70 mortos e um total de 17 mil e 145 infectados.

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